Ciência baseada na evidência

No modelo de desenvolvimento e investigação que nos trouxe até aqui, a CIÊNCIA BASEADA NA EVIDÊNCIA constrói-se com experimentação, com artigos revistos por pares, com revisões, com metanálises e outras formas de publicação científica. Esses artigos nem sempre estão certos e podem ser contrariados por outros artigos que vão atualizando o conhecimento científico.

A ciência baseada na evidência não são artigos de opinião na internet, com uma linguagem descuidada e, não raras vezes, ofensiva. A ciência serve as pessoas e por isso devem construir-se pontes e não muros através do insulto. Este é o ponto que quis destacar quando me referi ao SciMed e que mantenho na íntegra. Não escrevi sobre nenhum artigo em particular mas dado que existe a expectativa acerca do texto sobre a “certeza” do sexo binário, também fui ler e falar com cientistas sobre o assunto.

Não sou especialista em sexo ou género. Não é, dentro da Medicina ou da Psiquiatria, uma área a que eu me dedique, que investigue, que tenha orientado estudantes ou acerca da qual tenha publicado artigos científicos. Como é público trabalho com a doença obsessivo-compulsiva e a neurobiologia da tomada de decisão.

Ainda assim, sabemos ler o que os artigos científicos dizem e a forma como as perspectivas da sociedade incorporam aquilo que a ciência nos vai mostrando. Como tal, sei que a Biologia não mudou assim tanto no entendimento do sexo binário na espécie humana. Mas mudou o suficiente para sabermos hoje que a realidade é espectral. Independentemente da dimensão e/ou frequência do espectro, é um facto que esse espectro existe no meio da concepção binária que dominou o entendimento do passado.

São pessoas. São pessoas que existem. São pessoas que existem e merecem respeito. São pessoas que existem, merecem respeito e não têm que ser sujeitas ao desdém de ninguém, muito menos de quem está licenciado para exercer Medicina em Portugal.

Quem também não merece desdém são as pessoas que têm doenças psiquiátricas e que vêem as suas doenças utilizadas como insulto por médicos inscritos na Ordem num total desrespeito pelas mais elementares regras do deontologia médica.

Termino reafirmando o que é mais que óbvio: estou do lado da ciência, defendo uma Medicina humanista baseada na evidência científica e nunca apoiei charlatães que fazem negócio a enganar pessoas fragilizadas pela vida e pela doença. Também por isso, o melhor serviço que fazemos à causa científica é garantir que os discursos baseados na ciência não servem para ofender ninguém de forma gratuita, muito menos aqueles que são mais vulneráveis na nossa sociedade.

O esquema que acompanha o post foi elaborada pelo Vasco Barreto para ilustrar a questão do sexo – a imagem inferior mostra a perspetiva mais atual. Deixo aqui um artigo científico para quem queira ler sobre o tema: https://www.nature.com/articles/518288a

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