Menos carros, mais saúde e melhor vida em Braga

Desde há algum tempo que é impossível ignorar o aumento significativo do tráfego automóvel em Braga. Em contra-ciclo com o que sucede noutras cidades do mundo a que chamamos civilizado, o uso (e abuso) do automóvel tem sido sistematicamente facilitado na cidade de Braga. É hoje impossível caminhar a pé por qualquer zona da cidade sem ser importunado pelos carros que estacionam nos passeios, nas passadeiras, nas paragens de autocarro, em toda a parte.

A mudança de políticas públicas de mobilidade e, consequentemente, dos hábitos dos cidadãos é urgente e necessária mas tem sido sistematicamente adiada pelos sucessivos executivos municipais. Se é um facto que a cidade foi pensada nos anos 80/90 para o uso quase exclusivo do carro como meio de transporte, também é verdade que passou demasiado tempo sem que nada verdadeiramente estruturante tenha sido feito para reformar o sistema de mobilidade. Pelo contrário, todos constatamos que o carro é cada vez mais dono e senhor da cidade com a conivência das autoridades que têm o dever de actuar.

As consequências do uso excessivo e abusivo do carro não são apenas ambientais e de saúde pública mas também se sentem ao nível da qualidade de vida e da integridade dos cidadãos. Continuamos a perder vidas em acidentes e atropelamentos. Devido ao excesso de tráfego, o carro também deixou de ser uma opção prática e eficiente.

Não é preciso inventar a roda para fazer o que é necessário: a cidade de Braga precisa de mais espaço dedicado à circulação pedonal, mais ciclovias e mais vias reservadas para transportes públicos; ao mesmo tempo é necessário reduzir as vias para a circulação automóvel individual e acabar com o estacionamento abusivo e ilegal. É também urgente introduzir medidas efectivas e generalizadas de controlo da velocidade nas áreas onde os acidentes e atropelamentos se repetem. Por fim, é urgente planear o futuro: como é possível Braga e Guimarães continuarem sem ligação ferroviária e não haver nenhum líder político que a defenda verdadeiramente? Como é possível continuarmos a ter um sistema de transportes públicos sub-dimensionado e sem capacidade para responder às necessidades efectivas da população? Como é possível continuarmos a ser discriminados nos transportes públicos pelo governo central comparativamente com Lisboa e Porto?

A mudança terá que acontecer. O receio de impopularidade das medidas de controlo do tráfego e aparcamento automóvel é, seguramente, uma das razões para o seu adiamento sucessivo. Mas a experiência de outras cidades (algumas aqui bem perto) demonstra que depois de um período de estranheza inicial, a satisfação das pessoas aumenta significativamente e as medidas tornam-se altamente populares. Quem não gostaria de viver numa cidade com mais saúde, mais eficiência, melhor qualidade de vida e menos poluição?

Publicado no Correio do Minho, Suplemento CM Cidades

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

WordPress.com.

EM CIMA ↑

%d bloggers like this: