Portugal comprimido

Um jovem dirige um coro litúrgico. Muitos desconfiam de que possa ter uma orientação homossexual mas, como se sabe, a igreja católica tolera a homossexualidade quando vivida no armário ou na sacristia.

O jovem vai de férias com o namorado e coloca fotografias públicas no Facebook. O padre, ancorado nos sectores mais conservadores da igreja, não gosta da devassa e decide afastar o maestro. Imputam-lhe acusações de roubo e impertinência mas negam que o assunto esteja relacionado com a orientação sexual do jovem.

O povo, que é sereno, não se acobarda: estão a linchar o rapaz como autênticos fariseus. A igreja, na sua santa hipocrisia (perdoem o pleonasmo), sai em defesa do padre e do conselho económico recuperando as acusações levianas de roubo e impertinência.

Parecendo que não, está ali Portugal inteiro: o atavismo bafiento, a hipocrisia sagrada, a histeria coletiva e o sentido de justiça popular.

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