Feliz 2017

Orban, Edorgan, Putin, Brexit, Trump. A lista parece grande (e assustadora) mas a expansão do movimento nacionalista pode continuar em 2017.

Os ingredientes são, invariavelmente, os mesmos: (i) descontentamento das classes operárias dos países industrializados condenadas ao desemprego e à redução efetiva de rendimentos; (ii) prolongamento da crise financeira e económica com consequências nas classes baixa e média; (iii) casos de corrupção dos líderes políticos convencionais.

A retórica é, invariavelmente, a mesma: (i) anti-globalização, a favor de restrições à livre circulação de bens; (ii) anti-emigração, culpabilizando os migrantes e imigrantes pela falta de emprego; (iii) anti-sistema, diabolizando os políticos convencionais; (iv) anti-igualdade, criando a falsa sensação de que as classes marginalizadas, minoritárias e mais fragilizadas têm benefícios superiores aos do cidadão comum; (v) difusão de notícias falsas ou deturpadas com efeito altamente sedutor junto das pessoas menos instruídas.

As consequências são, infelizmente, as mesmas: (i) lideranças unipessoais, com laivos anti-democráticos, dispóticos e nepóticos graves; (ii) limitação da liberdade de imprensa com actos censórios repetidos; (iii) agravamento da discriminação dos imigrantes, das minorias étnicas e raciais com aumento da conflituosidade social.

É precisamente sobre tudo isto que Francis Fukuyama, investigador da Universidade de Stanford, reflecte num ensaio de leitura obrigatória publicado este mês no New York Times, deixando algumas pistas para o caminho a seguir:

Above all, it is important to keep in mind that reversing the existing liberal world order would likely make things worse for everyone, including those left behind by globalization. The fundamental driver of job loss in the developed world, after all, is not immigration or trade, but technological change. The American manufacturing sector has seen something of a rebirth over the past decade, even as it has shed jobs in its highly automated factories.

We need better systems for buffering people against disruption, even as we recognize that disruption is inevitable. The alternative is to end up with the worst of both worlds, in which a closed and collapsing system of global trade breeds even more inequality.

Acreditando e desejando que tudo possa ser melhor do que até aqui, desejo a todos um Feliz 2017.

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