Há uma estratégia para Braga?

Nos últimos três anos a cidade conheceu uma nova liderança autárquica que corresponde a um novo estilo político e a uma nova estratégia de poder. A mudança fez bem à cidade, teve o mérito de fazer os antigos descontentes crónicos (afectos ao PSD e ao CDS) gostarem mais da cidade e de fazer os anteriores satisfeitos crónicos (afectos ao PS) reconhecer que nem tudo estava bem no concelho.

Mas, mais do que opiniões e paixões, importa saber se existe uma estratégia de desenvolvimento para Braga, se essa estratégia é diferente da que foi seguida no passado e se corresponde ao prometido.

Há sectores onde as mudanças são óbvias e positivas. A BragaInvest, liderada por Carlos Oliveira, tem conseguido organizar a promoção económica da cidade de uma forma muito positiva. Os TUB têm demonstrado importantes ganhos de eficiência. A cultura promove melhor a cidade do que se fazia antigamente.

Mas temos outras evidências negativas. No Parque Norte trocou-se um espaço destinado a parque verde pela construção de uma academia de futebol (e, mesmo aqueles que, como eu, a defendem, questionam se teria mesmo que ser num dos únicos terrenos que Braga tinha para fazer um parque).

Na Rodovia trocou-se um terreno em leito de cheias por outro a confrontar com as avenidas da cidade e que servirá para mais construção.

Na Quinta das Portas o atual executivo inscreveu o espaço como zona verde, fez bandeira disso e depois aprovou em tempo record a construção de um hipermercado que, pelos vistos, não será o único da mesma cadeia a ser construído no centro da cidade. Lê-se na página do vereador do PS, Hugo Pires, que o diretor do departamento que deu estes pareceres positivos trabalha agora na empresa que vai abrir os hipermercados. Mas o processo tem outros capítulos kafkianos: Luís Tarroso denuncia que uma rua de servidão pública há mais de 30 anos foi considerada privada pelo promotor da construção com a anuência da Câmara Municipal de Braga. Afinal quem defende o interesse público?

No Cinema São Geraldo, o executivo continua a apoiar um negócio que envolve a destruição de um edifício cultural em pleno centro histórico. Depois de tantos anos a criticar-se a política de “fachadas”, propõem-se destruir o antigo cinema para fazer nascer um shopping. No entretanto, arrendaram um edifício contíguo ao promotor do negócio sem haver um concurso que ajudasse a encontrar um espaço mais barato para a Junta de Freguesia de São Lázaro.

É por tudo isto que olhamos para o momento presente com grande apreensão. Gostávamos que os cidadãos fossem hoje mais ouvidos e mais respeitados do que no passado. Que as coisas correntes, como a iluminação pública e a limpeza das ruas, fossem garantidas de uma forma mais eficiente. Que as zonas urbanas estivessem melhor ligadas entre si. Que existisse o tão famigerado parque verde urbano. E que as intenções no campo da mobilidade deixassem de ser apresentadas a cada quinze dias e fossem amplamente debatidas por todos.

No fundo continuamos sem saber qual é a estratégia de desenvolvimento que está a ser seguida em Braga. Mas isso talvez seja o sintoma de que não há estratégia alguma.

Publicado no Correio do Minho.

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