Liberais, mas pouco.

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Pode um Estado dar-se ao luxo de financiar escolas privadas onde a cobertura de escolas públicas é suficiente? A resposta negativa parece óbvia tanto para as esquerdas (que dizem preferir uma educação pública e inclusiva) como para os neoliberais (que gostam de combater as instituições que vivem à custa do Estado). É por isso que é muito curioso que aquele que poderia ser um ponto de convergência política se tenha tornado num foco de divergência entre esquerda e direita em Portugal.

É muito curioso que aqueles que defendem cortes significativos no financiamento público dos sistemas de saúde, justiça e educação se manifestem simultaneamente favoráveis à manutenção de escolas privadas redundantes e subsídio-dependentes. Invocam a liberdade de escolha como justificativo desta sua incoerência, mas o argumento não passa de um mero artifício demagógico para encobrir as verdadeiras razões. Como afirma Luís Aguiar Conraria (no Observador), para a direita neoliberal “o problema é sempre o mesmo, todos os cortes de despesa são bem-vindos, excepto os que afectam a Santa Madre Igreja.”

A verdade é que a intenção do Ministro da Educação nesta matéria é verdadeiramente irrepreensível. Por muito que custe às corporações da Igreja Católica, o país não se pode dar ao luxo de continuar a pagar colégios privados onde há escolas públicas. Até porque, como dizem os neoliberais portugueses a propósito de uma infinitude de assuntos, o Estado não pode pagar os caprichos e as escolhas pessoais de cada um.

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