O jornalismo é notícia

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O jornalismo raramente é notícia por boas razões“. O escrito que captei no mural de um amigo pode ter uma boa dose de fatalismo mas não lhe falta um pingo adesão à realidade. Na verdade, sempre que o jornalismo faz o seu trabalho com competência e em condições de liberdade não é notícia.

As notícias sobre o jornalismo e os jornalistas surgem sempre que se encontra limitado na sua ação livre e independente (como acontece na Turquia, na Hungria ou na Polónia – para não sairmos da Europa) ou quando se condena à parcialidade, à ignomínia e ao jogo de interesses financeiros e político-partidários.

Em Portugal, onde não existem limitações à liberdade de imprensa, o jornalismo atravessa uma fase de decadência verdadeiramente preocupante.

Em primeiro, a falta de liquidez financeira da maioria dos grupos de media constitui-se como uma limitação importante para o cumprimento das suas obrigações de isenção e imparcialidade, conduzindo a uma dependência muitas vezes subserviente em relação os interesses que o financiam. Daqui decorre que os órgãos de informação e os espaços de opinião padecem de um sério enviesamento em favor das ideologias neoliberais e conservadoras. Basta olhar para as televisões privadas para se perceber que não existe um único comentador regular de esquerda em canal aberto.

Em segundo, a transformação da informação em espetáculo tem conduzido ao atropelo sistemático aos mais elementares princípios éticos e deontológicos do jornalismo, com graves intromissões na esfera privada dos cidadãos, desrespeito pelo princípio da presunção de inocência e difusão de informações absolutamente irrelevantes para as causas públicas com o fito único de se satisfazer as curiosidades mais mórbidas e comezinhas.

Em terceiro, os grosseiros e deliberados atentados à ética republicana e ao funcionamento das instituições democráticas em nome do favorecimento de interesses financeiros e político-partidários com suspeitosas trocas de informações (e favores?) entre agentes da justiça e jornalistas.

No seu conjunto (e em paralelo com o advento das redes sociais), esta situação tem levado à sistemática desvalorização do jornalismo tradicional e ao crescimento de uma perigosa, mas infelizmente justificada, desconfiança dos cidadãos em relação aos media. Isto não pode acabar bem.

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