A TAP não deixa a ciência voar

É com estupefação que lemos que a TAP deixou de transportar animais de laboratório. Esta decisão responde às pretensões das chamadas associações de defesa dos direitos dos animais mas constitui-se como um sério entrave ao desenvolvimento de investigação científica.

O uso de animais de laboratório na investigação científica é uma das atividades mais reguladas a nível nacional e internacional. A regulação legal e ética assegura que o uso de animais em investigação é restrito às situações em que não existe qualquer alternativa viável e que estão garantidas todas as condições de bem-estar para os animais. Comparar o uso de animais em investigação científica com a sua utilização em atividades recreativas é de uma falta de senso tão grande que nem merece qualificação. Mas descredibiliza de tal forma as chamadas associações de defesa dos direitos dos animais que acaba por enfraquecer a sua luta justa contra a barbárie das touradas, por exemplo.

A Medicina científica ocidental tem contribuído de forma significativa para o desenvolvimento de tratamentos eficazes para a esmagadora maioria das doenças com que a Humanidade se deparou. A Medicina científica ocidental permitiu aumentar a esperança média de vida de uma forma absolutamente inimaginável e aumentar a sua qualidade de vida de uma forma absolutamente esmagadora. Sem investigação científica, muitos cancros matariam em semanas ou meses, a maioria das pneumonias serão fatais, a hepatite C não teria cura, o HIV seria muito mais mortal, a Esclerose Múltipla não teria tratamentos, a depressão e esquizofrenia seriam doenças capazes de condenar irreversivelmente quem delas padece e por aí em diante.

Quem decide estas proibições devia ser consequente e recusar para si o uso de qualquer tratamento conseguido através da experimentação animal. Ou estas decisões são para inglês ver?

Se os executivos da TAP responsáveis por esta decisão querem tão militantemente opor-se à medicina baseada na investigação científica, então não se vacinem, não tomem antibióticos, não se submetam a cirurgias que lhes podem salvar a vida nem permitam que os seus familiares ou animais de estimação o façam. Tratem cancros, infecções, diabetes e outras doenças letais com uns chazinhos, ponham a vossa concentrada fé na diluída homeopatia, ou recorram à dita “medicina” tradicional chinesa (essa sim responsável pelo extermínio de milhares de animais em perigo de extinção). Ou então deixem a ciência voar. [Nuno Henrique Franco]

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