Braga qu’eu gosto

Captura de ecrã 2015-12-21, às 09.04.22

As cidades são a sala de estar das nossas vidas. Ou, pelo menos, deveriam ser. É por isso que a gestão do espaço público é uma das tarefas mais nobres daqueles que se ocupam das causas públicas.

Nas últimas décadas, Braga tornou-se na terceira cidade do país, congregando à sua volta mais de meio milhão de habitantes que se distribuem pelos municípios limítrofes de Guimarães, Famalicão, Barcelos, Vila Verde, Póvoa de Lanhoso e Amares. Apesar da colaboração intermunicipal se manter em níveis muito inferiores ao que seria desejável, têm sido dados alguns passos positivos nos últimos anos.

É sabido que o crescimento populacional da cidade nem sempre foi feito de acordo com as melhores estratégias de planeamento urbanístico, mas, em geral, o slogan de que “É bom viver em Braga” mantém-se fiel à realidade. É, pois, sobre a Braga qu’eu gosto que escreverei de seguida.

A Braga qu’eu gosto acorda cedo para trazer o pão ainda quente para o pequeno almoço, come um brigadeiro ao lanche e, de quando em vez, compra uma frigideira para jantar. A Braga qu’eu gosto lê o jornal nas esplanadas do centro e bebe um chocolate quente n’A Brasileira enquanto debate a estética dos novos candeeiros ou a política do novo governo de esquerda ou outro assunto qualquer da atualidade local, nacional e até internacional.

A Braga qu’eu gosto passeia-se numa das maiores áreas pedonais do país e vai às compras do Largo da Senhora-a-Branca até ao Campo das Hortas e da Avenida da Liberdade até ao Campo da Vinha. A Braga qu’eu gosto vai ao Theatro que se chama Circo, frequenta aquela casa antiga da GNR que agora anda tão bem programada e visita todas as exposições dos Encontros da Imagem.

A Braga qu’eu gosto estuda na Universidade do Minho para depois fazer da formação recebida um valor exportável para o país e para o mundo seja em forma de conhecimento ou de produtos transacionáveis. A Braga qu’eu gosto tem laboratórios de investigação científica que dão cartas em todo o mundo, tem estudantes que são campeões nas suas modalidades e tem empresas que são líderes nos seus ramos.

A Braga qu’eu gosto não perde um jogo do Braguinha que agora é Bragão e ainda celebra a última vitória sobre aquele Sporting que veio de peito feito de Lisboa. A Braga qu’eu gosto vibra com o andebol do ABC, festeja com os sucessos do boccia e aposta no Hóquei Clube que é da cidade.

A Braga qu’eu gosto janta refasteladamente a melhor gastronomia do mundo e delicia-se com aquela que é, seguramente, a melhor francesinha do país. A Braga qu’eu gosto reúne-se semanalmente no Rossio que é da Sé e sai à rua do Bananeiro todos os dias vinte e quatro de Dezembro para celebrar a amizade.

A Braga qu’eu gosto é, mais ou menos, assim. Como a Braga que cada um gosta terá as suas particularidades que são, no fundo, uma forma de expressão dos seus afectos. Que 2016 sorria a todos e que a sala de estar das nossas vidas possa ser ainda melhor cuidada é o que desejamos.

Publicado no Correio do Minho em 21/12/2015.

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