A igualdade de género é um assunto de todos [3]

A violência contra as mulheres é um drama que assola a nossa sociedade de uma forma incrivelmente dolorosa. Os números são absolutamente chocantes e não nos permitem dormir descansados: desde o início do ano já morreram 24 mulheres em Espanha; em Portugal (um país 4,7 vezes menos populoso) já foram assassinadas 19 mulheres.

Apesar da sincera unanimidade política que se verifica na urgência de combater este flagelo social, os caminhos que têm sido apontados são divergentes. Nos últimos quatro anos, a política seguida em Portugal centrou-se no alargamento do apoio às mulheres vítimas de violência e no endurecimento e aumento da eficácia das medidas punitivas junto dos criminosos indiciados pelo crime de violência doméstica e/ou conjugal. Ainda esta semana, o governo anunciou (e bem) mais investimento nas estruturas de apoio às vítimas de violência doméstica e tráfico humano. No que respeita à prevenção, pouco ou nada foi feito.

Mas o caminho mais importante – a prevenção – está por fazer e esteve completamente estagnado durante a presente legislatura. Se aceitamos que as famílias enlutadas que foram assoladas por esta tragédia peçam a morte dos assassinos, dos políticos esperam-se soluções estruturais assentes na evidência científica produzida sobre a matéria. É precisamente nesse sentido que o PSOE espanhol veio a público pedir um acordo de regime para a prevenção da violência contra as mulheres. Um acordo que está longe de ser alcançado em Espanha e que ainda mais distante em Portugal.

A forma mais eficaz de combater a violência contra as mulheres é promover a mudança da narrativa machista que ainda domina o espaço mediático dos nossos dias. O combate faz-se nas escolas, nas igrejas, nas televisões, nas rádios, nos festivais de verão, nos relvados de futebol e nos ringues de boxe. Mas para que isso aconteça é necessário que as estruturas mais conservadoras da sociedade abdiquem de alguns dos “princípios machistas” que norteiam a sua narrativa política e social. É isso que a evidência aponta e é isso que precisa de ser feito com urgência. De outro modo, não será possível salvar as vidas das mulheres que estão em perigo de vida nas ruas em que moramos.

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