A Grécia explicada às criancinhas

1. A crise das dívidas soberanas surgiu na Europa pouco depois da crise financeira em que a especulação criminosa dos “lobos de Wall Street” afundou o mundo ocidental.

2. Naqueles dias, a narrativa da direita passou por apontar o dedo à despesa pública (em saúde, pensões de reforma e educação), ilibando os especuladores, as off-shores e as agências de rating.

3. Os alemães, ancorados nos governos de direita e centro-direita que dominaram a Europa, lançaram um programa de austeridade que visa reduzir o Estado, entregando aos interesses privados todos os sectores lucrativos e fazendo desaparecer a rede pública de suporte social.

4. A austeridade falhou em toda a linha. Depois de anos de asfixia, estamos mais pobres, mais incultos, com mais problemas de saúde, com mais problemas sociais e com uma sociedade mais envelhecida (os mais novos e muitos dos mais capazes emigraram deixando o país entregue a uma geração que se arrasta penosamente no trabalho). Ao contrário do que se apregoa, quanto maior foi a austeridade, piores foram as consequências (convém recordar que a Grécia aplicou muito mais medidas de austeridade do que Portugal – 15,8% versus 6,3% do PIB).

5. O novo governo grego tem procurado aligeirar a austeridade para implementar um programa de crescimento económico mas tem encontrado na Europa (mas não nos Estados Unidos, curiosamente) a resistência dos países do Norte e, surpreendentemente, dos governos de direita de Portugal e Espanha.

6. Na verdade, o governo português não está a defender o interesse de Portugal mas os interesses partidários do PSD e do CDS. É que, o aligeirar da austeridade na Grécia significaria também o aligeirar da austeridade no nosso país, contrariando o discurso com que Passos e Portas afundaram Portugal ao longo destes penosos 4 anos de governação. Um governo que continua a aplicar uma sobretaxa vergonhosa sobre o trabalho de todos os portugueses e um imposto especial punitivo sobre os funcionários públicos não tem qualquer legitimidade para defender, em nome de Portugal, a continuação deste tipo de políticas. Mas as eleições estão à porta e Passos não as quer perder, ainda que isso signifique mais sacrifício e mais sofrimento para os portugueses.

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