A Europa tem solução?

syriza

Quando a crise das dívidas soberanas rebentou, a situação da Grécia era significativamente mais gravosa que a de Portugal e Espanha. Lá, como cá, o povo sancionou os partidos socialistas que governavam e entregou o poder aos partidos conservadores (Nova Democracia na Grécia, PSD/CDS em Portugal e Partido Popular em Espanha). Lá, como cá, foram anos de austeridade dirigida essencialmente à classe média que viu os salários reduzidos, os impostos aumentados e a emigração como única alternativa. Lá, como cá, a austeridade foi sempre amiga dos grandes capitalistas que, com a conivência dos governos conservadores, se apropriaram dos negócios rentáveis do Estado deixando as dívidas para pagar mais tarde. Lá, como cá, diminuíram as despesas no sector público de saúde e educação mas aumentaram as transferências de dinheiro dos contribuintes para prestadores privados destes serviços. Lá, como cá, anos e anos de austeridade redundaram em países mais pobres, com menos emprego, com mais violência, com mais problemas sociais e com menos cultura. Lá, como cá, os governos conservadores limitaram-se a comportar-se como lacaios da Liga da Europa do Norte liderada pela senhora Merkel sem nunca erguerem a voz na defesa dos povos que representavam.

Hoje a Grécia está pior do que Portugal porque a situação da Grécia era, à partida, pior do que a situação de Portugal. Nenhum dos problemas estruturais das economias do sul se resolveu nestes penosos e gravosos anos de austeridade. É por isso que, no dia em que o Syriza ganha, se abre uma nova esperança na Europa. Pela primeira vez, a liderança de um país da União Europeia tem um mandado claro e democrático para questionar a política da senhora Merkel. Se ainda acreditamos na Europa, então talvez seja tempo da Europa do Norte ouvir a Europa do Sul antes que seja tarde demais e os fantasmas que todos tememos cheguem novamente às portas de Brandeburgo.

P.S. – A forma rancorosa como o Partido Popular Europeu (do PSD/CDS) reagiu ao voto popular na Grécia demonstra bem a noção que têm da democracia e a forma como encaram as suas ideias como o único caminho possível para reconstruir uma Europa decepada pela sua própria austeridade.

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