Dias difíceis

Je-suis-Charlie

Hoje vamos adormecer tristes e inquietos. A Europa foi atingida de forma vil. Mas o sangue que escorre do corpo daqueles doze heróis da liberdade deverá servir para escrevermos as próximas páginas do combate contra a intolerância das religiões. Sem vingança e sem violência mas com firmeza pétrea na defesa da liberdade e da dignidade humanas.

O respeito pela liberdade religiosa de cada um não pode confundir-se com tolerância perante as reiteradas tentativas que as religiões fazem (e fizeram ao longo da história) para se impor a todos os seus princípios, as suas convicções e os seus preceitos.

A intolerância do cristianismo não se combateu com apelos de cristãos moderados nem com o forjamento de uma imagem moderada do cristianismo. Combateu-se com uma abordagem racional e laica das questões políticas e sociais. Do mesmo modo, a intolerância do islamismo, quotidianamente presente em vários países de África e Ásia e ocasionalmente aplicada na Europa (este atentado foi mais uma tentativa de obrigar os povos a sujeitarem-se às leis religiosas de alguns), tem que ser combatida com a sua denúncia e com uma abordagem racional e laica das questões políticas e sociais.

Vejo entre nós gente alegadamente moderada que está disfarçadamente satisfeita pelo facto deste atentado favorecer o discurso xenófobo e nacionalista da extrema-direita. A intolerância da senhora Le Pen ou da senhora Isilda Pegado não é mais respeitável que a intolerância dos islâmicos.

Os dias são difíceis. Mas ou se está pela liberdade ou se está contra ela.

Anúncios

2 comments

  1. Que a questão religiosa,mais uma vez,esteja subjacente a este pesadelo é um aviso para os malefícios da passagem ao nível geral de algo que,a ser consentido,sê-lo-ia ao restritamente pessoal. Nenhuma religião pode aspirar ao Constantinismo! Não há religião que não seja intrínsecamente perigosa!

  2. A comparação da senhora Le Pen a fundamentalismos islâmicos é no mínimo infeliz e demonstra um grande desconhecimento da realidade (ou tentativa de a deturpar).

    Marie Le Pen é líder de um partido democrático em claro crescimento em França. Os fundamentalistas islâmicos matam pessoas inocentes e ainda para mais são cobardes porque não dão a cara. Alguma semelhança? Bem, cada um vê o que quer…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s