Do país que se desfaz

© Tiaguito Fonseca

© Tiaguito Fonseca

Estamos mais pobres. Estamos mais feios. Estamos mais incultos. Estamos mais injustos. E estamos mais desiguais. Se o ponto de partida não era famoso, a verdade é que o projecto de salvação que têm vindo a implementar no país está a tornar o sonho da convergência europeia num enorme pesadelo para Portugal. Foi ontem divulgado mais um conjunto de números que traçam o retrato mais negro do país. Temos, entre nós, mais de um milhão de pessoas que não consegue ter dinheiro para comer uma refeição de carne ou peixe por dia, mas também temos, entre nós, uma minoria que está mais milionária em tempo de crise. O país está melhor, dizem eles, mas as desigualdades entre os mais pobres e os mais ricos aumentaram e as classes médias foram esmagadas pelo tal ajustamento que agora começamos a compreender.

Vem isto também a propósito da forma como nos têm apresentado, dose após dose, o tratamento de austeridade com que afundam o país. Entre a espuma dos números com que nos sedam quotidianamente, o horror. Histórias de vida repentinamente interrompidas. Vidas eternamente adiadas. Sentidos que se refazem. Sentimentos que se diluem. Pessoas de carne e osso como nós.

A ler: Cáritas diz que a austeridade não está a funcionar e que há cada vez mais pobres

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2 pensamentos sobre “Do país que se desfaz

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