Este artigo não é sobre praxes

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No dia em que a Universidade do Minho celebra 40 anos, o Reitor e a Associação Académica não deixaram de aludir ao tema das praxes académicas. Da leitura de ambos os comunicados resulta claro que o chamado Código de Praxe viola os regulamentos da Universidade do Minho e o espírito do comunicado da AAUM, nomeadamente no que respeita aos “anti-praxe“. Diz o Reitor que a Universidade do Minho “reconhece e acolhe no seu protocolo” o traje académico e diz a AAUM que “a não participação na praxe não deverá constituir motivo de segregação e nenhum estudante deverá ser coagido a aderir à praxe“.

Contudo, o supracitado Código de Praxe determina que quem não aceitar integrar a praxe e respeitar a sua hierarquia “não poderá envergar Traje académico (…) nem poderá entrar em quaisquer festividades Académicas. Para prevenção de tentativas futuras de integração, será publicada uma fotografia do seu cartão no Jornal Universitário que estiver efectivo na ocasião, e terá outra afixada em local visível na sede da AAUM e outros locais.

Tal articulado configura formas de segregação e coação objectivas com utilização de meios que não estão, nem podem estar, ao dispor de grupos arbitrários de estudantes. A AAUM é uma instituição de utilidade pública que se rege pela Lei geral e pelos seus Estatutos pelo que só se pode estranhar que esta forma explícita de coação e segregação ainda não tenha sido objecto qualquer análise, inquérito ou comunicado.

Ao longo das últimas semanas temos lido muitos textos muito apaixonados sobre as praxes. Independentemente da posição que cada um possa ter acerca do assunto substantivo, penso que todos estamos de acordo que, sendo o Traje e a AAUM de todos os estudantes e sendo todos os estudantes membros de pleno direito da Academia, não é aceitável que a AAUM tolere a utilização ilegal dos seus meios como forma de segregação e coação motivadas pela não-adesão à praxe.

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4 pensamentos sobre “Este artigo não é sobre praxes

  1. Aderi à praxe com muito gosto e praxei, sempre dentro dos limites do socialmente aceitável e apenas nas semanas iniciais. Tive um ou 2 alunos que não quiseram ser praxados e tinham receio de não o dizer precisamente por causa disso que acabou de ser escrito. Confesso que sempre achei essa parte completamente ridícula. Desde quando um grupo de alunos pode apropriar-se de algo que não lhe pertence. Pena que os caloirinhos recém-chegados não consigam entender isso e pena que a praxe não sirva, em muitos casos, para incutir segurança e poder de crítica mas apenas medo pelas supostas “hierarquias”…

  2. O traje acadêmico é e sempre foi símbolo Acadêmico, e nunca símbolo de praxe ou desculpa para exclusão de quem não participa na praxe. Condeno quem tenta por diversas formas transformar o traje acadêmico (símbolo de orgulho de quem o enverga, e símbolo de pleno direito de todos os estudantes acadêmicos), em traje de praxe. Se querem um traje de praxe, que o inventem!
    É triste uma academia como a Universidade do Minho, ter um código de praxe onde se possa ler barbaridades como: ”não poderá envergar Traje académico (…) nem poderá entrar em quaisquer festividades Académicas” ou mesmo palavras que incentivam claramente ao bulling e a não integração, que tanto se defende na mui Nobre Academia. “Para prevenção de tentativas futuras de integração, será publicada uma fotografia do seu cartão no Jornal Universitário que estiver efectivo na ocasião, e terá outra afixada em local visível na sede da AAUM e outros locais.“
    Sou defensor da praxe. Fui praxado mas nao praxei. Vivi momentos fantásticos, mas não posso concordar com coisas que estão claramente erradas. E é triste perceber que existem pessoas capazes de fechar os olhos a tudo isto, e defender sem quaisquer princípios e valores, uma lei que de lei nada tem! Uma lei onde direitos e deveres de todos os estudantes são esquecidos, quando era suposto ser precisamente o contrario. Para que precisam os estudantes de uma Associação Acadêmica?

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