Fraude na ciência

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Ao longo das últimas décadas, Portugal subiu de forma sustentada nos rankings internacionais de ciência, acompanhando o investimentos estratégico que os governos faziam neste sector. Os laboratórios e institutos de investigação, por seu turno, habituaram-se a captar investimento estrangeiro e a ganhar bolsas internacionais, o que significava, na prática, que este era um verdadeiro sector exportador que vendia conhecimento e importava capital. Enquanto isso, qualificavam-se jovens que, doutorados, acabavam por contribuir de forma decisiva para o desenvolvimento do país.

No último mês de Janeiro fomos todos surpreendidos por um corte brutal do número de bolsas de doutoramento e pós-doutoramento atribuídas pelo Governo de Portugal. Anunciava-se uma nova política que, segundo o Ministro, pretendia canalizar o investimentos dos laboratórios de investigação para as empresas. No fundo, o que o Ministro anunciara era a intenção de transferir dinheiro dos impostos de todos para os negócios privados de alguns.

As críticas chegaram de todos os sectores da sociedade e de todos os quadrantes políticos. Mas o Governo, de lápis azul em punho, mandou guardar na gaveta o parecer que o Conselho de Ciências elaborou com severas críticas à anunciada política. Enquanto isso, o Presidente da República que tanto gosta de se passear pelas Universidades do país limitou-se a um triste silêncio cúmplice, condenando-se a um descrédito que já não envergonha apenas a Presidência mas a própria República.

No futuro, este Governo de lápis azul será recordado como a rapaziada que deu uma golpada na investigação científica pública. E esta rapaziada será conhecida por ter expulso os doutorados nacionais para importar outros estrangeiros, do terceiro mundo, a um custo que permita aos donos do país continuarem a acumular fortuna. Num país (a) sério, o povo não toleraria tamanha fraude e já tinha exigido decência (e ciência). Mas precisávamos de mais instrução, mais educação, mais investigação e mais cultura para podermos combater tudo isto. E talvez seja isso que melhor explique muito do que temos visto.

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